Ando às voltas no quarto. Deito-me no chão de barriga para cima e olho para o tecto. Levanto-me e apago a luz. Deito-me outra vez e olho outra vez para o tecto. Levanto-me e ponho música. Volto a deitar-me e a olhar para o tecto. Fico a olhar. Reconheço a música e canto-a. Paro de cantar para ouvir a música. Reparo que o cantor tem uma voz bonita. Reparo que o solo da guitarra dura muito tempo. Presto atenção ao ritmo da bateria. Presto atenção à letra da música, e penso nela. Associo a letra da música à minha vida. A música acaba. Aprecio o silêncio, e gosto dele. Começa outra música. Canto-a, e depois paro de cantar. Reparo na voz do cantor, no solo da guitarra, no ritmo da bateria e na letra da música. Fecho os olhos. Penso em coisas boas. Penso em coisas óptimas. Penso em coisas estranhas, impossíveis, difíceis. Penso em coisas más, abro os olhos e olho para o tecto. Acaba a música e aprecio o silêncio. Começa outra música, mas não gosto dela. Levanto-me e mudo de música. Olho para o quarto, sinto-me bem com a escuridão, e depois deito-me. Volto a pensar em coisas más. Lembro-me de coisas boas para esquecer as más. Apercebo-me de que não consigo esquecê-las, conformo-me e penso em outras coisas. Pergunto-me o que vai acontecer amanhã. Deixo de me aperceber das músicas a acabar e a começar. Fecho os olhos e volto a abri-los. Faço isso muitas vezes. Deixo- os abertos e olho para o tecto. Imagino se o tecto não fosse do meu quarto. Penso em mim. Penso se estou feliz ou triste, e chego à conclusão de que não sei. Levanto-me. Desligo a música. Acendo a luz e olho para o relógio. Surpreendo-me com o tempo que passou. Pego numa folha e numa caneta. Escrevo isto. E continua tudo igual.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Galerias do Rock

Acordei cedíssimo, mas isso não é muito anormal vindo de mim. Estava entusiasmada, estava prestes a ir a um lugar... Bem, não fazia a mínima ideia de como era o lugar, mas pelo nome, sabia que era bom. Vesti-me, maquilhei-me, e olhei para o espelho. "Será que está demais? Talvez não devesse sair de casa assim". Examinei melhor. Eu adorava, para mim estava tudo óptimo. O problema eram os outros. Mas saí mesmo assim, já não havia tempo para escolher outra roupa. Entrei no autocarro, sentei-me, peguei no ipod, e desliguei do resto do mundo. A música tomou conta de mim, como sempre.
Ninguém parecia querer estar sentado ao meu lado. Voltei a olhar para a minha roupa. Seria por isso? De qualquer modo, já não podia fazer nada. E pensando bem, não queria, sentia-me bem.
Saí do autocarro, e ainda tive que andar a pé. Estava um pouco desorientada, as ruas estavam cheias de gente, e nunca tinha lá estado. Sempre que parava para perguntar o caminho, as pessoas olhavam-me de alto abaixo. Quando andava, toda a gente se afastava, e observava. Eu era o ser estranho, o monstro, alguém que metia medo. Porquê? Porque não estava vestida da mesma maneira que os outros? Eu não quero ser só mais uma. Sonhava com um lugar onde "ser eu mesma" não fosse motivo para ser odiada. Gostava de ser valorizada por isso, e não julgada. E gostava que mais pessoas pensassem o mesmo que eu.
"Será que existe um lugar assim?" Sim, e tinha acabado de chegar a ele: As galerias do rock. Eram dois edifícios de cinco andares destinados a amantes desse género de música . Mas para além disso, eram a porta para liberdade. Ninguém era igual a ninguém, em nenhuma maneira. Cabelos de todas as cores, casacos de todos os tamanhos, t-shirts, corpetes, tops, camisolas, calças, saias, calções, collants, maquilhagem preta, vermelha, verde, roxa... tudo. E na cara de todos havia alegria, confiança, autonomia, determinação. Bastante diferente de tudo lá fora. Era o paraíso. E os deuses éramos nós próprios, as pessoas ao nosso lado, e os cantores estampados nas camisolas. Ninguém controlava ninguém, mesmo porque muita gente, assim como eu, não estava lá para gastar dinheiro, mas para observar e admirar.
Tive que me ir embora cedo, mas no caminho de volta nem reparei nas pessoas que olhavam para mim, porque sabia que eu era parte do meu próprio paraíso e a minha confiança era, de facto, algo positivo em mim. Espero voltar a algum lugar como esse muitas vezes, e espero um dia ser um dos deuses que ficam estampados nas camisolas.
sábado, 25 de dezembro de 2010
The Age of Cloning
Follow me, humanity
(as if you could get lost)
fake a smile, believe your lie
and then feel free to believe mine
This one-way road leads us
to blinded security
There's no need to be hopeful
'cause everything is fine in here
Believe me, everyone
it is easier this way
Ignorance and lazyness
will take your problems away
With opinions, you'll be judged
There's no place here for you
With my mind controlling powers, I demand:
All the thinkers must be banned
Follow me, fake a smile
believe every single lie
Ladies and gentllemen,
This is the age of cloning.
(as if you could get lost)
fake a smile, believe your lie
and then feel free to believe mine
This one-way road leads us
to blinded security
There's no need to be hopeful
'cause everything is fine in here
Believe me, everyone
it is easier this way
Ignorance and lazyness
will take your problems away
With opinions, you'll be judged
There's no place here for you
With my mind controlling powers, I demand:
All the thinkers must be banned
Follow me, fake a smile
believe every single lie
Ladies and gentllemen,
This is the age of cloning.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
And that's why I'm still fighting.
If you try and take a risk, you might get everything, or lose everything. But at least you have two choices.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Ele saberá que escrevi este texto.
Posso dizer que tenho vizinhos muito estranhos. Mas há um homem que é das pessoas mais intrigantes que já conheci.
É só mais um senhor casado de cabelos brancos que não vai deixar o cigarro, diz-se. Só que esta definição não me convence.
Do lado de fora de sua casa,é um velho sedentário que diz bom dia aos vizinhos e brinca com o seu cão. Mas sabe-se lá o que acontece atrás da porta... É um mistério para mim.
Apesar disso, nada aparenta ser um mistério para ele. Se me perguntarem quem é Deus, respondo "é o meu vizinho". Ele vê tudo. Nada que aconteça à frente da sua varanda escapa. Ele sabe tudo. Qualquer coisa que aconteça por ali leva antes um aviso: " Tem cuidado!Tudo o que tu fizeres, o nosso vizinho está a ver."
Não estou a exagerar, é mesmo assim que o vejo. Todos os dias, quase de vinte em vinte minutos, ele vai à varanda, acende um cigarro, e, enquanto fuma, não se mexe, não muda a sua expressão facial, e o único som que emite é o da sua tosse constante. Apenas passeia atentamente os olhos pelo jardim à sua frente durante longos e desconfortáveis minutos. Depois vira-se de costas, muito lentamente apaga o cigarro no cinzeiro, observa mais uma vez, com uma cara pesada, o jardim, volta para dentro de casa, e o resto é mistério dele.
É tudo o que sei. Além do facto de não me sentir livre quando estou no jardim.
É só mais um senhor casado de cabelos brancos que não vai deixar o cigarro, diz-se. Só que esta definição não me convence.
Do lado de fora de sua casa,é um velho sedentário que diz bom dia aos vizinhos e brinca com o seu cão. Mas sabe-se lá o que acontece atrás da porta... É um mistério para mim.
Apesar disso, nada aparenta ser um mistério para ele. Se me perguntarem quem é Deus, respondo "é o meu vizinho". Ele vê tudo. Nada que aconteça à frente da sua varanda escapa. Ele sabe tudo. Qualquer coisa que aconteça por ali leva antes um aviso: " Tem cuidado!Tudo o que tu fizeres, o nosso vizinho está a ver."
Não estou a exagerar, é mesmo assim que o vejo. Todos os dias, quase de vinte em vinte minutos, ele vai à varanda, acende um cigarro, e, enquanto fuma, não se mexe, não muda a sua expressão facial, e o único som que emite é o da sua tosse constante. Apenas passeia atentamente os olhos pelo jardim à sua frente durante longos e desconfortáveis minutos. Depois vira-se de costas, muito lentamente apaga o cigarro no cinzeiro, observa mais uma vez, com uma cara pesada, o jardim, volta para dentro de casa, e o resto é mistério dele.
É tudo o que sei. Além do facto de não me sentir livre quando estou no jardim.
sábado, 6 de novembro de 2010
Mass.
The Priest read the Bible, and all the sheep, with emotionless faces, said
Amen
Exept for me.
I was lost
Amen
Exept for me.
I was lost
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
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