quinta-feira, 10 de junho de 2010

Mais um texto inútil...

Gosto de ser a mais baixa. A mais nova. Também gosto de ser a mais alta e a mais velha. Gosto quando faço diferente dos outros. Gosto quando tenho ideias que os outros não tiveram. Gosto que os outros tenham óptimas ideias. Gosto de juntar as ideias dos outros com as minhas, e com as de outros. Gosto que falem comigo. Gosto de falar. Gosto de olhar para as pessoas na rua. Gosto que essas pessoas olhem para mim quando estou a fazer alguma coisa decente. Gosto de olhar nos olhos das pessoas que estão a olhar para mim. Gosto que saibam quem sou. Gosto que saibam o meu nome. Gosto que saibam o que faço. Gosto de elogios. Gosto de elogiar. Gosto de ouvir conversas alheias. Gosto que me contem conversas alheias quando não as consegui ouvir. Gosto que me contem segredos. Gosto de saber algo que não devo saber. Gosto de piadas sem piada. Gosto de me rir dessas piadas. E de outras coisas. Gosto de fingir que não estou a ouvir, quando não me apetece ouvir. Gosto de dizer: "Desculpa, não ouvi!". Gosto de ser útil. Mas também gosto de passar tardes sem fazer nada produtivo. Gosto de escrever sobre coisas que não vão resolver os problemas a nível mundial. Gosto de escrever sobre aquilo que gosto... Gosto de falar de mim.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Sentimentos

Passou, foi-se, desapareceu. (?) Passou, foi-se embora, talvez... Não, de certeza. Passou, passou.
(agora sem um "?"). Aquele sentimento, forte, grande, poderoso, bom, doloroso, óptimo... não sei, aquele sentimento que eu adorava, odiava, precisava, evitava. Desapareceu, foi substituído. Por um sentimento não tão forte, não tão grande, não tão poderoso, não tão bom, mas igualmente doloroso e óptimo. E adoro-o, odeio-o, preciso, evito, AH!
São, este e o outro, sentimentos, por coisas belas. E, como antes fazia, agora rio-me, choro, observo. De perto, de longe (de perto é melhor). Falo, sorrio, iludo-me, espero, desespero, desiludo-me, esqueço. Lembro-me. Lembro-me de me questionar qual dos sentimentos me faz mais feliz...

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O menino loiro

Conheci um menino loiro,
numa terra luminosa
Depois de ter tocado o céu
ou de ter ido ao passado
depois de ter cantado
do frio me ter atacado
Conheci o menino loiro
no meio da diversão

Ele viu-me
vi-o eu
naquela espera feliz
onde não se encontram meninos assim
nunca
O seu chamado trocista fez-me tremer
e rir, pela elegância daquela voz
como a da terra luminosa

Vi o menino loiro
dessa vez
e nunca mais
Agora restam-me estes versos
a solidão
e a culpa
além da alegria de ter conhecido o menino loiro

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Praia

6 horas da manhã, num domingo de Verão. Eu sou a única, por enquanto, a caminhar naquela paisagem. Pouco barulho fazem os meus passos, e quando olho para trás, vejo a prova de que ali estive, até o vento a apagar. Atrás de mim vejo as dunas brancas, à minha frente vejo a imensidão azul. Reparo como ela se abana e se carrega para a minha a direcção, como se me oferecesse um pedaço dela.
Deixo que ela me molhe os pés. Entretanto, ela recua, quase que a ouço a dizer "vem". E vou. Deixo que ela me cubra e que me refresque, que não me deixe sair.
Ela deixa-me deslizar sobre ela, acompanha-me, aliás.
Quando o tempo e o cansaço me obrigam a sair da imensidão azul, já se vêem outras pegadas, outras pessoas. Aquela beleza de antes voltará às 6 horas do dia seguinte.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Tristeza.

A tristeza é fria, escura, vazia, fechada, e apertada. Tenho medo dela, sei quando ela vem, por isso evito-a. Muitas vezes consigo fugir-lhe, então vou sendo feliz.
Como as minhas tristezas não foram muitas, lembro-me de quase todas, e essa é a pior parte. Gostava de poder esquecer.
Da última vez que a tristeza me apanhou, foi inesperadamente. Primeiro fiquei irritada, como se ardesse. E nervosa, disse coisas que não devia. E depois já não ardia, fiquei fria e vazia porque estava triste. Enquanto chorava a caminho de casa, deixei de ver as coisas, como se estivesse dentro de uma sala escura. E por onde passava tinha que ouvir as pessoas a perguntar se estava bem, como se não fosse nada óbvio. Era sufocante.
Mas a razão dessa tristeza foi algo que se apagou facilmente. Não precisei mais que um pouco de água. E voltei a sorrir.

A tristeza é fria, escura, vazia, fechada, apertada e dói muito. Mas não é eterna.





Para a Mariana, ela é parte da minha felicidade.

Eu e a Zenguita




O meu nome é Maria. Adoro falar, falar alto para que todos me ouçam. Gosto de dar a minha opinião sobre variados temas, mesmo aqueles que não domino.Apesar de gostar da minha privacidade, uma hora ou duas a ouvir a minha música sem que ninguém me incomode, sou feliz quando estou rodeada de pessoas. Adoro festas. Falo com quem me apetecer falar mesmo que não conheça o individuo. Passo a conhecer, ora!
Gosto de cantar e gritar no meio da rua e não me importo que olhem para mim quando o fizer.
90% por cento das pessoas que conheço sabem disso, vêem isso claramente.
Em relação aos outros 10%, compreendo que me achem tímida e calada, talvez até um pouco anti-social, porque é isso que eles vêem. Mas eu já cheguei à conclusão de que eles não me conhecem, conhecem a Zenguita. Ela é que fala pouco, é tímida, só conhece as pessoas às quais é apresentada e só fala se alguém disser alguma coisa primeiro. Mas ela odeia que lho digam.
A Zenguita admira-me. Quer ser igual a mim, já me disse isso vezes sem conta. E ambas sabemos que ela vai ser,
Mas até isso acontecer, recomendo àqueles 10% que leiam isto.

domingo, 25 de abril de 2010

Ele


Encontrei este texto por acaso.Escrevi-o há 3 anos, mas corrigi agora algumas coisas:

Ele tinha Os lábios mais secos que as folhas que caem no Outono, a pele branca e delicada como um floco de neve e os olhos tristes como um dia cinzento. Caminhava sozinho na noite, tão vazia como a sua casa escura, onde só Ele morava.
Assim andava, acompanhado pela tristeza. Os seus passos eram silenciosos mas ecoavam no seu coração vazio.
Ele sentou-se na areia da praia, e,enquanto olhava a lua, perdeu-se nos seus pensamentos.
Então caminhou até à beira do mar. A água fria tocou-lhe nos pés, enchendo o coração que antes era vazio e iluminando a pele branca. Nessa noite, Ele sorriu pela primeira vez.